As compensações de carbono podem parecer complicadas. Existem muitas oportunidades de negócios quando se trata de compensações, e são mais simples do que você pode imaginar. Felizmente, a equipe de especialistas da Radicle tem um amplo conhecimento sobre como funcionam as compensações de carbono, como produzí-las e como usá-las para cumprir suas metas de redução de emissões. Mas o que exatamente são compensações de carbono?

A maneira mais simples de explicar uma compensação de carbono é um sistema de contabilidade que pode equilibrar as escalas de poluição. Uma compensação representa a redução, remoção ou prevenção voluntária das emissões de gases de efeito estufa (GEE), medidas em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), que podem compensar as emissões feitas em outro lugar. Ao cortar as emissões além do necessário, as compensações desempenham um papel importante no cumprimento das metas de redução de emissões de GEE, o que é incrível.

Qualquer empresa, governo ou indivíduo pode se envolver com a compensação de carbono, pagando para compensar suas emissões de GEE ou gerando compensações.

Existem dois tipos diferentes de compensação: cumprimento e voluntária. As compensações de cumprimento podem ser usadas quando um sistema federal de redução de emissões de GEE está em vigor, desta forma as atividades do projeto são incluídas nos protocolos aprovados pelo governo. As compensações voluntárias devem ser usadas por indivíduos, grupos e organizações por motivos voluntários. Pense assim: se você, uma única pessoa, voasse em um avião e quisesse compensar essas emissões de GEE, você poderia comprar compensações de forma voluntária, mas se sua empresa está em um setor com requisitos regulatórios para reduzir as emissões de carbono, você pode usar as compensações de cumprimento para atender às reduções exigidas pelo governo para as suas emissões de GEE.

Então, como as compensações são geradas? Uma ampla variedade de atividades e projetos evitam, removem ou reduzem as emissões de GEE que criam compensações. Eles podem assumir a forma de soluções baseadas na natureza, como plantar árvores em terras anteriormente florestadas (reflorestamento) ou reduzir as emissões, evitando o desmatamento e a degradação florestal. Elas podem ser melhorias de otimização energética para o seu negócio, em projetos de edifícios com eficiência energética ou no uso de fogões super eficientes, usando combustíveis alternativos para alimentar os veículos da sua empresa. Essas atividades e projetos também podem incluir o uso de técnicas de agricultura regenerativa, reduzindo as emissões de metano usando opções de hardware limpas e inovadoras, recuperação ou incineração de hidrofluorcarbonos (HFCs), redução das emissões de aterros por meio da coleta de combustão e gás de aterro, e geração de eletricidade usando recursos renováveis.

Depois que uma compensação é gerada, ela recebe um número de série exclusivo. As empresas podem trabalhar com organizações como a Radicle para comprar créditos que atendam às suas necessidades. Depois que um crédito é comprado, ele é permanentemente retirado ou transferido para garantir que não haja dupla contagem e que um crédito só possa ser usado uma vez.

Agora que você sabe um pouco mais sobre compensações, certamente está se perguntando: “onde posso comprá-los ou vendê-los”? Temos ótimas notícias – as compensações são vendidas tanto por intermediários quanto por desenvolvedores de projetos – como a Radicle! Oferecemos opções de transações personalizadas, percepções sob medida e acesso escalável a mercados de carbono opacos e ilíquidos. Encontramos as oportunidades mais adequadas para o seu negócio, incluindo a execução de transações de carbono. Também oferecemos suporte a soluções de ponta a ponta para o ciclo de vida de seus créditos de carbono – do desenvolvimento e criação à aquisição e aposentadoria.

“Você precisa se perguntar sobre quais emissões você pode influenciar por si mesmo e quais projetos de redução de emissões que você vai fazer estão sob seu controle ou dentro de sua organização. Desta forma, as compensações podem ser usadas para cumprir o restante de sua meta de redução de emissões ou para se proteger contra emissões futuras de carbono e exposições de preços.”, disse Chelsea Bryant, Diretora-Gerente de Mercados Globais e Estratégia da Radicle durante nosso webinar 101 sobre Compensações de Carbono.

Se você quiser saber mais sobre como se envolver nos mercados de cumprimento ou de compensação voluntária de carbono, nossa equipe de especialistas está pronta para te atender!

A aceleração em que vivemos não tem precedentes na história da humanidade. A era digital pegou o início desse processo na virada do século e pisou fundo, provando de vez que o tempo é relativo.

São mudanças tão rápidas e interconectadas que criam a sensação de impermanência, com uma quantidade de dados a serem processados muito maior do que nossa capacidade. Considerando que a consultoria é a arte de se mapear e processar informação, sua adaptação a essa nova realidade não é uma escolha.

Mas o desafio não é só esse, há um senso de urgência para essa adaptação. Se estamos levando a sério o que diz a ciência climática, temos duas ou três décadas para transformar a economia circular e regenerativa em regra, algo que demoraria um século no ritmo que estamos. Portanto, soluções exponenciais serão fundamentais daqui para a frente.

A boa notícia é que temos décadas de conhecimento para enfrentarmos os desafios que esta transição impõe. Não é necessário investir bilhões na mudança do homem para Marte. O investimento necessário é dar escala às energias renováveis, à eficiência energética, à agropecuária regenerativa e à valoração das florestas nativas.

Falta, portanto, o fator exponencial nesta equação, ou faltava! Após 9 anos atuando como uma consultoria de contabilidade ambiental, implementando a mensuração e valoração de estoques e fluxos destes ativos, a Pangea passa agora a surfar uma nova onda como Radicle Brazil.

Ao integrar o Grupo Radicle, a Pangea possibilitará a fusão do conhecimento específico sobre as soluções que o país necessita com a tecnologia e capacidade de investimento necessárias para dar escala a elas. A Radicle Brasil terá como foco manter a precisão e agregar velocidade, de forma a nos adaptar aos tempos e contribuir de fato na construção do futuro que queremos.

Esta é a visão que nos guia, sua implementação passa agora por se utilizar do potencial do mercado global de carbono para, finalmente, transformar os ativos ambientais em financeiros, com o objetivo de trazer o melhor dos dois mundos aos nossos parceiros. O equilíbrio é possível e a exponencialidade também, nós seremos a prova disso.

Roberto Strumpf

Hoje temos um novo nome, mas a nossa história tem como base empresas que existem há mais de uma década com o propósito de causar impacto positivo no planeta. Trabalhamos muito para consolidar a nossa presença global e acumular expertise (e especialistas), e agora estamos prontos para atuarmos unidos e nos representarmos sob o nome Radicle.

Radicle, ou radícula em português, é o primeiro estágio de crescimento da semente que, em seguida, se transforma na primeira raiz. Em seu livro “O Poder do Movimento nas Plantas”, Charles Darwin descreve a radícula como sendo o cérebro da planta, que recebe estímulos sobre sua condição e ambiente e molda seus movimentos. Esse conceito também é verdadeiro para nós na Radicle. Trabalhamos para impulsionar a eficiência dos nossos clientes, fazendo com que reduzam suas emissões e se tornem mais prósperos no futuro, mostrando que eficiência não vem às custas do meio ambiente. 

Sabemos há algum tempo que lucrar às custas do planeta não é sustentável e está mais claro, a cada dia, que isso também é desnecessário. Equilibrar o foco entre o resultado final e o meio ambiente não só é possível, mas crucial. 

As empresas que acompanham a mudança do mundo estão descobrindo como a eficiência baseada no respeito ao meio ambiente pode ser ótima para os negócios, entendendo como podem alcançar mais com menos. Esta abordagem de companhias financeiramente sustentáveis costumava ser vista como radical, mas é muito real e a nossa orientação faz com que esse caminho seja muito mais fácil de ser percorrido.

Ao nos tornarmos globais, estruturamos uma rede que conecta conhecimento, habilidades e tecnologia e oferece apoio aos nossos clientes ao redor do mundo. Essa também é uma oportunidade para que empresas brasileiras que trabalhem conosco tenham maior possibilidade de um crescimento sustentável mundial.

Radicle significa crescimento, e Radicle é a esperança em meio ao pessimismo que pode sobrecarregar o meio ambiente. Sabemos que podemos proteger o nosso futuro juntos. Estamos aqui para ajudá-lo a navegar neste ambiente de negócios em constante mutação e traçar o caminho em direção ao equilíbrio das necessidades do planeta e das pessoas que dependem dele. O equilíbrio é possível e estamos animados para te provar isso.

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Na Radicle, ajudamos empresas a navegarem pelos mercados de emissões para lucrarem enquanto protegem o planeta. Até o momento, criamos mais de cinco milhões de créditos de carbono para compensar emissões em mercados regulados e a nossa equipe já realizou mais de US$ 300 milhões em transações de commodities ambientais no mundo todo.  

Apesar desses números impressionarem e abrirem caminho para o impacto positivo que esperamos alcançar, vamos começar falando sobre o básico, como, por exemplo, o que são as commodities ambientais e como funcionam os mercados de emissões.

Os tipos básicos de commodity ambiental são: créditos de carbono, combustíveis renováveis e eletricidade renovável.

As empresas ganham créditos de carbono reduzindo a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) que elas geram ou armazenando-os antes que entrem na atmosfera. Cada crédito de carbono representa uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) e esse conceito também se estende ao metano. O metano possui cerca de 30 vezes o potencial de aquecimento global (GWP) do CO2, fazendo com que as reduções em suas emissões sejam ainda mais cruciais à nossa causa. 

Combustíveis e eletricidade renováveis são tipos diferentes de créditos, pautados por regras específicas das jurisdições de onde são criados e vendidos. Esses créditos podem ser baseados na tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) ou em unidades de produção, como  Megawatt-hora (MWh) de energia renovável.  

Os registros de commodities ambientais certificam e rastreiam os créditos, além de regularem o modo como eles são gerados. Nesse sentido, são bem semelhantes aos títulos e ações da bolsa – alguns são como investimentos em blue chips (rendimento certo) e outros podem ser praticamente inúteis.  A Radicle gera commodities ambientais da mais alta qualidade, porque utilizamos a nossa própria plataforma para mensurar, qualificar e agregar os GEEs. Portanto, quando se trata de comprar ou vender créditos nos mercados de emissões, os nossos clientes certamente irão lucrar.

Quando falamos em mercados de emissões, estes podem ser divididos em duas categorias abrangentes:  regulados e voluntários. Os mercados regulados são para empresas que precisam cumprir com metas estabelecidas pelo governo, caso contrário ficam sujeitas a penalidades financeiras; já os mercados voluntários são para aqueles que optam por reduzir as emissões ou se comprometem a adotar soluções mais “verdes” por conta própria. Geralmente, o fazem para cumprir com seus próprios compromissos ambientais ou para aumentar a receita. 

Sabemos que tudo isso pode parecer muito complicado. “O diabo mora nos detalhes”, diz Chelsea Bryant, Diretora Geral para Mercados Globais e Estratégia da Radicle, parafraseando um provérbio alemão. “É indispensável que você faça a sua lição de casa para otimizar o valor – geração de receita ou economias de custo – da participação no mercado.” E na Radicle, nós fizemos a nossa lição de casa. Estamos ansiosos para ajudar as organizações que tenham diversos níveis de conhecimento a navegarem pelas complexidades das commodities ambientais e dos mercados de emissões, facilitando um engajamento mais amplo nessas áreas.

Na Radicle, estabelecemos parcerias com os nossos clientes para mensurar o seu impacto ambiental e identificar novas fontes de valor.  Na última década e com diferentes nomes, nossa equipe foi chamada por agências governamentais, regulatórias e ambientais, assim como por empresas privadas,  para dar consultoria e ajudar a implementar soluções de impacto positivo para o planeta. 

Trabalhamos no protocolo de pneumáticos da província de Alberta, no Canadá, para garantir que os requisitos do Departamento para Mudanças Climáticas de Alberta fossem cumpridos. Desenvolvemos uma estrutura de compensação direta de carbono para a Bayer e contribuímos, de forma relevante, com as operações da Shell de captura e armazenamento de carbono, num sistema conhecido como Quest. 

A nossa equipe é formada por especialistas mundiais em mercados ambientais, na mensuração dos gases de efeito estufa (GEE), em soluções climáticas naturais e nas avaliações do ciclo de vida. “Não somos um time de consultores convencionais”, disse Shahira Esmail, Diretora para Consultoria Global da Radicle, “nós usamos o nosso pensamento curioso e criativo para abordar e resolver problemas de todos os tamanhos e níveis de complexidade, frequentemente extraindo um valor que anteriormente passou despercebido”.

Atuamos como uma plataforma única que oferece tudo que está relacionado à sustentabilidade. Para nós, é importante agir e não apenas falar – e isso também deveria ser importante para você. Temos as nossas próprias metas ambientais, sociais e de governança (ESG) e atraímos uma equipe de pessoas que vive de forma ecologicamente consciente dentro e fora do trabalho. Por isso, nos damos ao luxo de extrair soluções de uma grande fonte de conhecimento, o que nos permite estar atualizados com as novidades de ESG e tendências, e acompanhar os dados assim que surgem. 

Portanto, qualquer que seja o seu problema ou oportunidade de sustentabilidade, nós temos a resposta mais adequada à sua organização (ou a energia e expertise para chegarmos nela). 

Nós trabalhamos bem como equipe e também com equipes. Juntamente com os nossos clientes, parceiros da indústria e outras partes interessadas, criamos soluções sob medida para que atinjam resultados mensuráveis. Estamos animados para te mostrar o que é possível. 

Leia mais sobre a nossa nova marca.

Na Radicle, a nossa principal atividade é transformar as realidades das empresas com as quais trabalhamos, levando soluções concretas de cuidados com o meio ambiente. Uma parte inicial do nosso processo ágil e robusto envolve a identificação do impacto de carbono da empresa. Para isso, mergulhamos profundamente nas operações dos nossos clientes, questionando, reiterando, calculando e documentando. 

Agora, vamos destrinchar o que é pegada de carbono. O que é medido importa e é mais importante do que nunca saber como o seu negócio impacta o meio ambiente. Aqui entra o impacto de carbono: uma fotografia dos gases de efeito estufa (GEEs) emitidos anualmente a partir das operações da companhia. Essa informação é o primeiro passo para entender a sua cadeia de suprimentos e identificar onde existe potencial para melhorias ambientais.

Mas por que isso é importante? O objetivo principal de uma pegada de carbono não se restringe a relacioná-la às metas climáticas, mas também a utilizá-la como um guia para uma estratégia de sustentabilidade que lhe permita traçar um plano de ação para lidar com as vulnerabilidades. 

Veja o que diz Rori Cowan, a nossa Diretora para Desenvolvimento de Negócios para os Estados Unidos, que é uma grande defensora da pegada de carbono: “seja porque a sua empresa quer estar à frente das regulamentações ou simplesmente porque entende como pode fazer melhor, os dados adquiridos com esse exercício têm imenso valor, e não é possível alcançar esse valor até que se conheça qual é o seu impacto de carbono. Esse valor pode se materializar em diversas formas, como entender melhor a sua vantagem competitiva ou, em alguns casos, ser capaz de gerar compensações de carbono”. 

Quer ser aquela empresa que ninguém segura ou, como dizemos na Radicle, uma companhia “antifrágil”? O impacto de carbono tornou-se não apenas algo positivo de se ter, mas uma forma essencial de acessar fontes de financiamento.  

Sabemos que a identificação das vulnerabilidades da empresa pode ser algo assustador. Ainda assim, garantimos que um impacto de carbono bem pesquisado e um plano de ação estruturado serão muito relevantes para a prosperidade do seu negócio. Por exemplo, já vimos o impacto do carbono se transformar em valor financeiro traduzido em oportunidades de créditos de carbono. Veja o caso da província de Alberta, no Canadá, onde alguns produtores de petróleo e gás conseguiram fazer essa monetização com eficiência por meio da redução da sua pegada de carbono. Eles agora podem ganhar créditos de carbono trocando seus equipamentos pneumáticos de alta liberação de metano para reduzir a quantidade desse gás de efeito estufa que é liberado pelas suas operações!   

Na Radicle, gostamos de encontrar um diamante bruto em sustentabilidade. Como? Sejamos sinceros: definir a pegada de carbono de uma empresa é apenas metade da batalha. A outra está em envolver a sua mente em algo que você nunca fez antes. É assim que você se sente após o primeiro ano da implementação da estratégia de sustentabilidade. Depois, quanto mais fizer, mais fácil fica. Assim como acontece com qualquer coisa nova que fazemos.  

Está pronto para usar o impacto de carbono para lançar a sua iniciativa de sustentabilidade? Estamos te aguardando com a nossa abordagem focada e os melhores especialistas em impacto, mensuração e gestão de carbono. Vamos transformar a sua sustentabilidade numa história divertida para contar. 

Ajudamos empresas a promoverem soluções de impacto positivo para o planeta. Desenvolvemos uma das primeiras plataformas de software do mundo para medir, qualificar e agregar emissões de gáses de efeito estufa. Nossa equipe consultou mundialmente nossos clientes e parceiros do setor sobre a monetização dos seus esforços ambientais, sociais e de governança (ESG). Ao mesmo tempo que nos orgulhamos de tudo o que já realizamos, estamos muito focados no futuro e em novas maneiras de alcançar nossos objetivos. A nossa inspiração mais recente é a Economia Circular. 

Os especialistas membros da equipe de Comunicação de Sustentabilidade da Radicle possuem uma certificação especial em Economia Circular (Design for Sustainability) pela universidade Technische Universiteit Delft na Holanda. Nos reunimos com os membros da Unidade de Comunicação de Sustentabilidade da Radicle – Claudia Aguirre, Diretora de Estratégia, e Jennifer Dooley, Estrategista Sênior, para entender o que é a Economia Circular. 

P. O que é a Economia Circular?

“Eu fiquei sabendo sobre Economia Circular quando fiz meu treinamento na Fundação Ellen MacArthur, no Reino Unido. Eles explicam que a Economia Circular é diferente do modelo industrial extrativista do tipo “pegue-produza-descarte”, porque, ao invés disso, elimina os resíduos do sistema, gerando capital econômico, natural e social. Basicamente, a Economia Circular dissocia a atividade econômica de consumo dos recursos finitos”, explica Claudia. 

Jennifer acrescenta: “Parece complicado, mas a Economia Circular baseia-se realmente em três princípios simples: eliminação de resíduos e poluição, manutenção de produtos e materiais em uso, e a regeneração dos sistemas naturais”. 

P. Vocês podem nos contar um pouco mais sobre o primeiro princípio – eliminando resíduos e poluição?

“O primeiro princípio – eliminar resíduos e poluição – pede que as empresas repensem e questionem a cadeia de suprimentos para evitar resíduos e poluição. Se isso é realizado no início do desenvolvimento do produto, temos o melhor cenário”, diz Claudia. Ela segue dizendo que “muito dos resíduos que liberam gases de efeito estufa no meio ambiente vêm de resíduos estruturais, poluindo o ar, a terra e a água”.

“Veja o exemplo da Tru Earth, fabricante de detergente para máquinas de lavar, que atualmente participa do nosso programa de certificação Climate Smart Certification”, descreve Jennifer. “A Tru Earth eliminou totalmente os resíduos do processo de lavagem de roupas. Eles usam um detergente em tiras que gera zero resíduos e vem em uma embalagem de papelão compostável. Cada tira do produto de lavagem se dissolve completamente ao entrar em contato com a água. Os ingredientes são hipoalergênicos e ecologicamente corretos!”   

P. E o segundo princípio? O que significa manter produtos e materiais em uso?

“O segundo princípio tem tudo a ver com reimaginar uma economia que não use intensamente os recursos finitos, mas, ao invés disso, reutilize, refabrique ou recicle”, diz Jennifer.

Claudia acrescenta: “O objetivo final é usar produtos, componentes e produtos biológicos para impactar, de forma positiva, a economia e o meio ambiente. Veja o caso da empresa de sabonetes e sabão Rocky Mountain Soap. Seus sabonetes líquidos, condicionadores e shampoos são vendidos em embalagens de refil de 1 litro; os clientes devolvem as embalagens na loja, que as envia de volta à fábrica onde são higienizadas e, em seguida, reutilizadas! E essa não é a sua única inovação: o último lançamento de produto de beleza deles é uma linha de batons coloridos, vendidos em embalagens biodegradáveis.

P. Explique para nós esse último princípio – regenerando os sistemas naturais. Como uma empresa consegue fazer isso?

“Pense assim: será que nós, como empresa, podemos não apenas proteger, mas também melhorar o meio ambiente? E se pudéssemos não apenas preservar os recursos renováveis, mas também devolver os recursos para o solo para ajudar na regeneração?”, indaga Jennifer.

Claudia acrescenta: “Pegue o exemplo do plantio de conservação. Os serviços de agricultura da Radicle recompensam o produtor rural que utiliza plantio direto para reter o dióxido de carbono no solo, ajudando a mitigar o impacto da agricultura sobre a mudança climática”.

P. Como posso saber mais?

 “Na Radicle, estamos empenhados em ajudar a sua organização a contar a sua história de circularidade para o mundo. Entre em contato conosco e a nossa equipe de Comunicação de Sustentabilidade traçará seus planos de integração da Economia Circular e as suas estratégias de mudança social!”.

ENTRE EM CONTATO CONOSCO.

Depois de dois anos com chuvas abaixo da média histórica, este verão está terminando com um índice pluviométrico bastante razoável o que, aliado a uma redução do volume retirado, contribuiu para o aumento significativo do volume armazenado do Sistema Cantareira. Se neste mesmo dia 08 de março de 2015 tínhamos 120 milhões de m³ acumulados no Sistema, hoje temos 577 milhões.

A melhora foi suficiente para o Governador Geraldo Alckmin dizer que temos água para cinco anos de seca! Exagero? Com certeza, pois analisando o histórico do Sistema, pode-se verificar que em março de 2013 o nível acumulado (57%) era o dobro do que em março de 2016 (29%).

A comparação com 2014 e 2015 traz alívio para a população abastecida pelo Sistema, mas se o olhar for mais abrangente (como deve ser o do poder publico e do planejador), a cautela e inteligência no planejamento devem preponderar.

O Sistema Cantareira apresenta, hoje, uma condição ambiental pouco confortável. De acordo com estudo recente da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira estão sem cobertura vegetal. Sem essa mata ciliar é impossível proteger os rios. A degradação é histórica e sua recuperação é responsabilidade de todos!

O governo do estado tem concentrado seus esforços (investimentos) na transposição de rios, implantação de um novo Sistema (São Lourenço), ou seja, na infraestrutura cinza que é fundamental, mas não a única forma de garantir o abastecimento hídrico no futuro. Investir na proteção dos mananciais que “produzem” a água é essencial para que as nascentes e rios não sequem durante os inevitáveis períodos de estiagem (como o que passamos entre 2013 e 2015 e iremos passar no futuro).

As florestas nas margens dos rios atuam como os cílios, protegendo os cursos de água e garantindo o abastecimento constante dos lençóis freáticos. Essa á a chamada Infraestrutura Verde, ou Infraestrutura Natural – o investimento em ecossistemas naturais saudáveis complementa os sistemas de abastecimento hídrico, garantindo a provisão de serviços essenciais, como a regulação do fluxo hídrico, controle de enchentes além da purificação da água.

Pensando nisso, a Iniciativa Verde, OSCIP parceira da Pangea Capital, já plantou 75 hectares de floresta no Sistema Cantareira, sendo que 50 com o financiamento do BNDES e os outros com o financiamento de empresas privadas. Um ótimo exemplo disso é a Leroy Merlin, que já plantou mais de 100 mil árvores com a Iniciativa Verde, sendo que 21 mil no Sistema Cantareira em função da compensação das emissões de gases de efeito estufa decorrentes de três lojas inauguradas na grande São Paulo em 2015.

Trabalhos como este representam parte essencial do caminho para a construção de uma cidade mais resiliente e saudável, especialmente em um cenário de mudanças climáticas que tornarão as secas cada vez mais comuns.

Por meio de análise de risco, estratégia de redução no uso e adaptação ao cenário de escassez, a Pangea Capital auxilia empresas e municípios a elaborar um plano de ação visando à redução de riscos e a adaptação a um novo cenário de escassez (para mais informações leia no blog passado: “Águas de Março: uma promessa de vida?”).

Texto escrito por Lucas Pereira, diretor-técnico da Iniciativa Verde.

Por que o mercado voluntário se mantém aquecido mesmo em um ano historicamente ruim para a economia global?

Por Roberto Strumpf*

Mudanças climáticas é um tópico discutido anualmente pelos países integrantes da Nações Unidas há pelo menos 28 anos, desde a Rio 92[1]. Hoje há quase uma unanimidade, seja na ciência ou no posicionamento dos estados, que vivemos uma crise. As exceções têm caído em descrédito uma a uma, sendo atreladas a interesses comerciais e políticos populistas, todas elas regadas a fartas doses de notícias falsas ou fora de contexto.

Na esteira dessa discussão, o papel dos mercados apareceu cedo, mais especificamente em 97 com a assinatura do Protocolo de Kyoto, que visava reduzir em 5% as emissões globais em relação aos níveis de 1990 até 2012[2]. Dentre as formas de implementação deste compromisso, estava o saudoso Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), um caso clássico de busca de flexibilização e eficiência do comando e controle com o uso do poder e agilidade do mercado. Seu legado em termos de redução de emissões foi pífio, mas a governança do tema, priorização da agenda das nações, nível de conhecimento acadêmico e técnico, todos evoluíram exponencialmente.

Entre marés baixas, como a conferência de Copenhague, e altas, como a de Paris, a proposta de um novo mercado global vagou solta, sem dono, sem força, nem ambição. Mas enquanto as nações brincavam de empurrar o problema com a barriga e discutiam quem pagaria a conta, um movimento de baixo para cima foi ganhando força, inicialmente capitaneado pela sociedade civil organizada e posteriormente abraçado pela iniciativa privada – os mercados voluntários de créditos de carbono. Estes são movidos por todos os outros vetores de engajamento humano que não a regulação: reputação, acesso a mercados, análise de riscos, instinto de sobrevivência, licença social para operar, entre outros.

Até que chegamos em 2020, com o mundo mais desigual do que nunca, com baixo crescimento econômico, dividido entre nações pró e contra imigração, entre pró e contra globalização, com notícias falsas ganhando eleições e líderes populistas movendo uma cruzada contra a ciência. Em um cenário já adverso veio a pandemia e, com ela, a receita perfeita para os estados e também empresas colocarem de vez uma pá de cal sobre qualquer acordo climático global ou mesmo setorial. O que estava evoluindo lentamente na agenda climática seria pausado, o que já estava pausado sofreria retrocessos e, com sorte, voltaríamos no assunto daqui a cinco anos, com a rota de aquecimento para além dos dois graus já consolidada.

Neste cenário, nem o mais otimista apostaria na sobrevivência do mercado, em especial daquele que não se apoia em leis nacionais ou regionais como vemos em alguns países ou províncias. Mas apesar disso, há sinais de um novo impulso no mercado de carbono voluntário, puxado por uma maior demanda por créditos de carbono relacionados a soluções baseadas na natureza[3]para atender a metas de emissões líquidas zero de grandes empresas.

O Google, por exemplo, divulgou em setembro que dará um passo para além da neutralidade para tornar suas operações carbono negativas, de modo que capturem mais emissões do que emitem. Até conseguir esse feito, a empresa de tecnologia continuará compensando as emissões que não conseguir eliminar. A organização anunciou que já compensou o suficiente para neutralizar suas emissões desde a sua fundação em 1998[4].

Segundo o Ecosystem Marketplace Insights Brief, relatório lançado em setembro durante a Semana do Clima em Nova Iorque, o volume de créditos desse tipo tem sido surpreendentemente alto em 2020. Apesar da pandemia da COVID-19, as entrevistas conduzidas pela organização com profissionais do mercado apontam que o volume de transações no mercado voluntário em 2020 pode até exceder o de 2019[5].

O volume de créditos comercializados no mercado voluntário atingiu seu maior pico em 2019, com um valor de US$320 milhões. Segundo a Ecosystem Marketplace, o mercado voluntário de carbono movimentou US$ 5.5 bilhões nos últimos 20 anos[6].

Outra publicação referência, o States and Trends of Carbon Pricing lançado em maio de 2020 pelo Banco Mundial, reforça essa tendência de crescimento do mercado de carbono voluntário. Com mais empresas comprometendo-se com metas de emissões líquidas zero ou buscando desenvolver soluções climáticas positivas, a publicação também aponta para uma tendência de aumento na busca por compensações por parte do setor empresarial, especialmente nos casos em que incluam o escopo 3 (emissões indiretas e/ou ao longo da cadeia de valor) nos seus compromissos[7].

O levantamento da IETA Climate Challenges Market Solutions e da PwC, outra referência no assunto, revela uma expectativa de baixa nos preços dos créditos de carbono nos mercados regulados por causa da COVID-19. Contudo, aponta sinais mais positivos no mercado voluntário devido a uma maior adoção de compromissos empresariais mais ambiciosos, como metas absolutas de reduções de carbono. Eles também observam um ressurgimento do interesse dos clientes por compensações para mitigar os impactos ambientais dos produtos e serviços que escolhem. Essa tendência deverá sustentar a fixação de preços para créditos voluntários de carbono no médio prazo, segundo estimativas da organização[8].

A IETA destaca ainda como principais impulsionadores do mercado de carbono voluntário: i. a ciência, e o reconhecimento do senso de urgência quanto à necessidade de uma transformação dos negócios; ii. liderança do setor privado e ii. delimitação das fronteiras entre ação voluntária e compliance[9].

Aos poucos, o cenário pós-pandêmico se apresenta sobre a agenda climática de forma mais positiva do que poderia se imaginar, provocando uma reflexão sobre os vetores de engajamento. Quais seriam as razões para não só a sobrevivência, mas o fortalecimento dessa agenda a nível global?

– Teria a pandemia despertado a importância do reequilíbrio ambiental para a qualidade de vida e desenvolvimento econômico?

– Talvez o retiro forçado pelo confinamento e a redução da agenda social permitiu tempo para uma reflexão sobre o que, de fato, deve ser a prioridade no âmbito pessoal e profissional?

– Teriam os pontos acima ajudado a acelerar um processo já em curso de engajamento do indivíduo como indutor de mudanças, seja no papel de consumidor, investidor, regulador ou comunidade, aumentando a pressão por mudanças substanciais na agenda climática?

– Quem sabe o desmatamento e queimadas, em especial na Amazônia, tiveram um poder de engajamento e sensibilização global, a ponto de sustentar os compromissos voluntários de grandes corporações e direcionar investimentos para créditos florestais e do setor agrícola?

Com certeza cada um destes fatores tive sua contribuição, mas o resultado dessa movimentação positiva só saberemos, de fato, em novembro de 2021, quando acontece a Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 26) em Glasgow. Lá, veremos se há vontade política para implementar de fato uma economia de baixo carbono e regenerativa através dos mercados, ou se o engajamento verificado é apenas um soluço na rota de uma crise climática maior.

*Roberto Strumpf, é diretor executivo da Pangea Capital, empresa do grupo Radicle Balance, referência internacional em mercados de carbono. Este artigo foi originalmente publicado na Página 22: https://pagina22.com.br/2020/11/17/mercados-de-carbono-a-saga/

[1] Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cnumad), realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro. [2] Ministério do Meio Ambiente. O Protocolo de Quioto. Disponível em: https://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/protocolo-de-quioto.html [3] Para saber mais sobre soluções baseadas na natureza, veja nosso post #60: https://www.pangeacapital.com.br/post/solu%C3%A7%C3%B5es-baseadas-na-natureza [4] Ecosystem Marketplace, 2020. State of the Voluntary Carbon Markets 2020 – a Special Climate Week NYC Installment. Disponível em: https://www.ecosystemmarketplace.com/carbon-markets/ [5] Ecosystem Marketplace, 2020. State of the Voluntary Carbon Markets 2020 – a Special Climate Week NYC Installment. Disponível em: https://www.ecosystemmarketplace.com/carbon-markets/ [6] Ecosystem Marketplace, 2020. State of the Voluntary Carbon Markets 2020 – a Special Climate Week NYC Installment. Disponível em: https://www.ecosystemmarketplace.com/carbon-markets/ [7] Banco Mundial, 2020. States and Trends of Carbon Pricing 2020. Disponível em: https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/33809 [8] IETA, 2020. IETA Anual Sentiment Survey. Disponível em: https://www.ieta.org/page-18192/9053936 [9] IETA, 2020. IETA Webinar on Voluntary Market Initiatives. Disponível em: https://www.ieta.org/resources/International_WG/2020/IETA%20VCM%20Presentation.pdf

Por Susian Christian Martins*

Gestão florestal e o uso sustentável do solo são sinônimos de resiliência às mudanças climáticas para o setor agropecuário.

Essa foi a principal conclusão de estudo publicado pela WRI Brasil, GIZ e Coalizão Brasil Clima, Agricultura e Florestas com a contribuição de um time de especialistas brasileiros integrado por Eduardo Delgado Assad, Luiz Claudio Costa, Miguel Calmon, Rafael Feltran-Barbieri, Maura Campanili e Carlos A. Nobre e por mim.

Esse estudo, considerando sistemas produtivos e políticas públicas já empregados no país, corrobora com as principais conclusões de centenas de cientistas internacionais. Segundo o último relatório especial do IPCC – Climate Change and Land, o uso sustentável da terra e a melhor gestão florestal são estratégias de mitigação “livres de arrependimentos”. Elas também são importantes para a adaptação e resiliência climática, além de contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

No que tange às florestas, o documento do IPCC sinaliza que a sua manutenção é um dos caminhos, destacado como altamente benéfico, para o enfrentamento dos desafios apontados pelos cientistas: segurança alimentar, mitigação, adaptação, desertificação e degradação. Além disso, afirma que a única forma de mitigar os impactos das mudanças climáticas sem correr o risco de gerar outros desafios é por meio da redução do desmatamento e da degradação. O relatório também observa que a preservação e a restauração da vegetação nativa contribuem significativamente para a redução da pobreza e da fome e melhoria da saúde, água potável e saneamento. Também contribui para questões relacionadas aos indígenas, gênero e desigualdade.

O solo atua ao mesmo tempo como fonte de gases de efeito estufa e sumidouro de carbono. A forma como ele é manejado vai dizer para qual lado essa equação tenderá. No Brasil, apesar do aumento expressivo do desmatamento nos últimos anos, os solos capturam quantidades significativas de GEE. Por exemplo, segundo dados levantados no sistema SEEG, entre 2009 e 2018 os solos foram responsáveis pela captura de, aproximadamente, 1,14 gigatonelada (Gt) de CO2, quantidade capaz de neutralizar mais da metade das emissões de todos os setores em 2018 no país, ou neutralizar todas as emissões da agropecuária por, aproximadamente, 2 anos.

O Brasil já possui importantes políticas em vigor nesse sentido. Essas soluções incluem modelos previstos em programas, como o -ABC – Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura – e o Planaveg – Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa. Ambos podem ser replicados em qualquer parte do mundo. Esses planos podem ter um papel relevante de adaptação às mudanças climáticas, ajudando os produtores a tornar suas lavouras mais resilientes aos eventos climáticos extremos. São as chamadas “soluções baseadas na natureza”, especificamente “soluções baseadas na terra”.

Soluções climáticas baseadas na terra: benefícios além da mitigação

A agricultura regenerativa ou de baixo carbono e a recomposição e manutenção florestal são atividades complementares que vão além da mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Conjuntamente, contribuem também para conservação e provisão de diversos serviços ecossistêmicos dos quais a agropecuária e as cidades dependem fortemente. A seguir, um resumo dos principais cobenefícios advindos da implementação de políticas agropecuárias regenerativas e de restauração constatados pelo Working Paper brasileiro. Tabela 1. Alguns dos cobenefícios esperados a partir da adoção das principais tecnologias do Plano ABC e PLANAVEG.

OC = ondas de calor; S = secas; DSC = dias consecutivos sem chuvas; DN = desastres naturais; CAS = conteúdo de água no solo; FS = fertilidade do solo; CS = conservação do solo; AA= Ambiência Animal; POL = polinização. Aumento = ↑; Redução = ↓; Sem alteração = s.a.; Não se aplica = n.s.a.

Os principais benefícios das diversas ações do Plano ABC como estratégia de adaptação às mudanças climáticas também acarretam em redução da evapotranspiração, dos danos das enchentes, da erosão causada pelos ventos fortes, da necessidade de uso de fertilizantes e agrotóxicos. Ao mesmo tempo auxiliam no controle de pragas e doenças e na manutenção e aumento da produtividade, além de, em geral, proporcionarem aumento da renda líquida do produtor e da geração de empregos no meio rural.

Os sistemas agroflorestais são ótimos exemplos de sistemas regenerativos orientados pelo caráter sistêmico da produção agropecuária, condicionada pelo clima e disponibilidade de recursos naturais, impondo uma abordagem sustentável de gestão de paisagens, na qual o desenvolvimento do setor agropecuário não se sustenta sem a conservação dos recursos naturais, a redução da degradação dos ecossistemas, a restauração dos biomas e a adoção de sistemas produtivos de baixo carbono.

Benefícios econômicos e financeiros da adaptação da agropecuária.

No mesmo Working Paper também foram retratadas questões relacionadas aos benefícios econômicos e financeiros da adaptação da agropecuária. Propõe uma matriz para ajudar investidores, agentes financeiros e empresas seguradoras nas avaliações de risco, a qual mostra o potencial de resiliência e de adaptação às mudanças climáticas dos principais sistemas de produção e de restauração preconizados pelo Plano ABC e pelo Planaveg.

As práticas regenerativas e da restauração da vegetação nativa (em seus mais diversos arranjos) são oportunidades para a redução do risco do financiamento e devem ser consideradas entre os instrumentos econômicos e mecanismos financeiros para a agropecuária. A construção de uma agricultura sustentável em harmonia com a paisagem, envolvendo o capital natural, a produção sustentável e a governança participativa e transparente, é um importante mecanismo de adaptação conjunta entre os planos de baixo carbono e restauração e, consequentemente, de diminuição de riscos ao financiamento de atividades agrícolas e florestais nessas áreas integradas.

Indiretamente, para operações tradicionais de crédito, os bancos já incorporam em suas análises um dos serviços ecossistêmicos extremamente importante que é a provisão da água. Diversos agentes possuem suas próprias ferramentas de análise de risco para esse serviço ecossistêmico específico. Por que não expandir e incluir, nas análises de risco dos produtores rurais, os demais serviços ecossistêmicos e ambientais prestados pela restauração e outras práticas regenerativas? A proposta é de valoração dos serviços ecossistêmicos, em especial a conservação do solo e sequestro de carbono, que podem minimizar os impactos negativos da mudança do clima na agropecuária, bem como proporcionar financiamentos diferenciados da safra ou atividade pecuária, como menores taxas de juros, ou auxiliar produtores no acesso aos mercados voluntários de carbono.

No entanto, todo esse pacote de benefícios elencados no working paper com a adoção na propriedade de práticas regenerativas e manutenção dos ativos florestais, ainda não se reflete nos números de desembolso do crédito rural. Entre 2013 e 2018 foram financiados em média R$ 39,00/ha/ano para sistemas integrados, enquanto que no mesmo período foram investidos R$ 613,00/ha/ano para a cultura solteira da soja. Outra informação alarmante do estudo diz respeito aos valores desembolsados para adequação ambiental das propriedades de apenas R$ 45 milhões contra mais de R$ 400 milhões para atividades que promoveram a supressão da vegetação nativa.

Mais desmatamentos nas florestas e degradação dos solos culminarão na rápida destruição desses que representam importantes estoques de carbono, acelerando efeitos das mudanças climáticas que em alguns casos já são irreversíveis. Reverter esse quadro depende de transformações na forma como o nosso alimento é produzido. Tais desafios devem ser encarados como oportunidades de negócios. Ferramentas, profissionais capacitados, metodologias, marcos legais, entre outros aspectos relevantes para essa transição, existem. A construção do conhecimento é dinâmica. A continuidade dessa estruturação, junto com ações efetivas em diferentes frentes (econômica, acadêmica, extensionista, jurídica etc.), é prioritária e urgente.

Mais informações

No Working Paper “Papel do Plano ABC e do Planaveg na adaptação da agricultura e da pecuária às mudanças climáticas” podem ser encontradas informações detalhadas sobre os benefícios de sistemas produtivos ABC como estratégia de adaptação e resiliência às mudanças climáticas (https://wribrasil.org.br/pt/publicacoes/papel-do-plano-abc-e-do-planaveg-na-adaptacao-da-agricultura-e-da-pecuaria-mudancas). IPCC – Climate Change and Land. Special Report on climate change, desertification, land degradation, sustainable land management, food security, and greenhouse gas fluxes in terrestrial ecosystems. Disponível em: https://www.ipcc.ch/srccl/ Plano ABC – Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano-abc/plano-abc-agricultura-de-baixa-emissao-de-carbono Planaveg – Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa. Disponível em: https://www.mma.gov.br/florestas/pol%C3%ADtica-nacional-de-recupera%C3%A7%C3%A3o-da-vegeta%C3%A7%C3%A3o-nativa.html *Susian Martins, consultora associada da Pangea Capital. Engenheira Agronômica pela UFSCar; com Mestrado e Doutorado pela USP.