Quase um mês após a COP26, muitos textos e webinars já foram publicados com o objetivo de destrinchar seus resultados. Tratar do assunto após esse período de digestão possibilita, de um lado, apresentar uma lista de boas leituras para quem busca os detalhes1 e, do outro, ter uma visão mais clara sobre os impactos do Pacto de Glasgow no dia a dia das organizações e das pessoas.

“Importantes avanços, porém insuficientes para evitarmos um aquecimento maior do que 1,5ºC neste século. #cop26”

Esse seria o resumo dos resultados em um Tweet. Algumas análises focam mais nos avanços, em especial quando a autoria é uma fonte governamental, outras dão mais luz às lacunas, principalmente quando é a sociedade civil se manifestando. Independentemente dos vieses, é possível extrair algumas tendências que se fortalecerem com os resultados de Glasgow e que ditarão o ritmo das mudanças que estão por vir:

O processo da ONU é incremental, mas a solução necessária é exponencial

As decisões da ONU são todas tomadas por consenso, o que faz com que um país insular no meio do Pacífico tenha tanta influência no resultado das COPs quanto a China ou US. Por um lado, é justo que seja assim, pois os efeitos das mudanças no clima são sentidos de forma totalmente diferente pelos países e, assim, uma decisão pela maioria poderia gerar injustiças irreversíveis, como o desaparecimento completo de uma ilha no meio do Pacífico.

Por outro lado, o consenso força a ambição para o mínimo denominador comum, pois tem de acomodar diversos interesses e realidades em um mesmo texto. Portanto, o processo da ONU é justo, porém lento e não dá para esperar dele muito mais do que “avanços, porém não suficientes”. 

O que o processo precisa, e que foi observado na COP26, é trazer clareza sobre como iremos coletivamente alcançar esse desafio, de forma a reduzir incertezas e riscos e, por fim, destravar investimentos privados.

Estes sim funcionam em uma lógica de inovações exponenciais. A revolução digital, a última grande pela qual passamos, é prova disso. Houve uma fase de construção progressiva das bases tecnológicas, até que uma pessoa iluminada inseriu em um celular a possibilidade de navegar na internet. Booom! Mudança disruptiva, rápida e global, nos moldes da que precisamos para a crise climática. 

Os side events e external events não são mais coadjuvantes

Ao olharmos para o lado privado da força, a esperança permanece e se fortalece a cada ano. Os veteranos de COPs sabem que há uma tendência muito clara desde Paris, em que os side-events, representando o setor privado, e os external-events, representando as crescentes movimentações da sociedade civil, têm influenciado nosso futuro climático tanto quanto as negociações oficiais. 

O engajamento de empresas não tem precedentes e, com ele, o crescimento exponencial observado no mercado voluntário de carbono, atingindo o recorde histórico de US$1bi transacionados em 2021. Esse engajamento não é casual, tampouco movido exclusivamente pela conscientização dos executivos. Há no pano de fundo a pressão cada vez maior da sociedade, no papel de consumidores e povos tradicionais, e há também pressão do mercado investidor, exímios em análises de riscos e oportunidades futuras e que, portanto, já têm as mudanças climáticas como uma prioridade no radar. 

Portanto, há de se fazer essa ressalva quanto ao termo voluntário dado a este mercado. E há de se reconhecer também que este processo, de baixo para cima e autorregulado, não vai parar independentemente do resultado das COPs. 

Sinal verde para o mercado

Glasgow foi o primeiro “checkpoint” do Acordo de Paris e conseguiu entregar o que o mercado buscava: transparência e credibilidade contábil. Com isso, o aspecto com maior potencial de impacto positivo do Acordo de Paris, o famigerado Artigo 6, tem um caminho menos tortuoso pela frente.

A onda crescente do mercado observada nos últimos três anos será intensificada, os volumes transacionados serão exponencialmente maiores e, consequentemente, o valor dos créditos também. Essa é uma tendência que deve durar ao menos até 2030, quando as emissões líquidas globais devem cair 50% para ficarmos dentro do nosso orçamento de carbono do século. 

Dentre os tipos de projetos passíveis de geração de créditos, há cada vez mais reconhecimento da importância de soluções baseadas na natureza.  Estes projetos, atrelados aos setores florestais e agrícolas, representam oportunidades custo-efetivas de se reduzir emissões e, principalmente, remover carbono da atmosfera; promovem inúmeros cobenefícios ambientais, sociais e econômicos no nível local, e ainda constituem medidas fundamentais para a resiliência frente às mudanças climáticas em setores cruciais como de produção de alimentos, abastecimento de água e geração de energia. Após décadas de dominância dos projetos com energia, o mercado agora é mais verde do que nunca.

E o que vem no horizonte?

Com o livro de regras de Glasgow, os próximos anos verão barreiras cada vez mais permeáveis entre os mercados regulados e o mercado voluntário, com potencial para termos em breve, finalmente, um novo mercado global pós-Kyoto.

Ao mesmo tempo, a demanda por offsets deve se deslocar para projetos que promovam a remoção de emissões da atmosfera, como projetos de restauro florestal, agropecuária regenerativa e de captura e armazenamento de carbono em indústrias (CCS). Tudo isso em uma visão otimista do enorme esforço para alcançar a meta global de Net Zero até 2050.

Por fim, com o advento de novas tecnologias e continuidade no aumento da pressão de stakeholders, é provável que uma parte substancial da gestão e redução de emissões de GEE seja internalizada pelas empresas, o que pode promover um maior equilíbrio entre oferta e demanda em uma visão de médio e longo prazo para o mercado.

Roberto Strumpf, Diretor da Radicle Brazil


1 referências:

A 26ª Conferência das Partes (COP 26) será sediada em Glasgow (Escócia) entre os dias 31 de outubro a 12 de novembro. As COPs são os eventos de maior relevância global quando o assunto é a crise climática, uma vez que reúnem as lideranças das nações signatárias da Convenção quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Em um momento no qual a humanidade retoma gradativamente as suas atividades, essa COP tem algumas particularidades que merecem atenção:


É a primeira COP após a pandemia Covid-19

Desde a primeira COP, realizada em Berlim, em 1995, nunca havíamos ficado um ano sem a conferência. No entanto, a COP 26, que deveria ter ocorrido em novembro de 2020, precisou ser adiada, dada a gravidade das consequências da pandemia do Covid-19 no mundo, que ainda se via em estágios muito iniciais de uma possível vacinação em massa.

Esse cenário potencializou um senso de urgência na humanidade. Isso porque muitas correlações são claras entre as duas crises. Um estudo (Klenert et al., 2020) listou cinco lições da pandemia, aplicáveis às mudanças climáticas:

  1. O atraso custa caro.
  2. O desenho das políticas precisa superar o viés do julgamento humano.
  3. A desigualdade pode ser exacerbada sem uma ação em tempo hábil.
  4. Problemas globais requerem múltiplas formas de cooperação internacional.
  5. Transparência é necessária.


Uma pesquisa realizada pelo Fundo Monetário Internacional – FMI, em 2021, também identificou um aumento na preocupação de pessoas em relação às mudanças climáticas após a pandemia. 

43% das pessoas estão mais preocupadas com as mudanças climáticas hoje em relação ao que estavam antes da pandemia.

Este comportamento também foi observado no Mercado Voluntário de Carbono, com resultados crescentes mesmo em um período atípico da economia (confira mais no artigo publicado no blog em novembro do ano passado). Segundo o último relatório publicado pela iniciativa Ecosystem Market Place, espera-se um número recorde de transações de créditos voluntários de carbono em 2021, superando 1 bilhão de dólares.

Assim, espera-se que a COP26 seja palco de discussões ainda mais latentes sobre a ação global necessária.


É precedida de um novo (e preocupante) relatório do IPCC

Os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), desde 1990, vêm repetidamente servindo de subsídio para a ação climática global, já que fornecem dados e opiniões científicas robustas sobre os eventos climáticos e suas consequências. Sempre que estes relatórios vêm a público, costumam reforçar preocupações e aquecer a discussão no nível internacional. Foi o que ocorreu em sua 5ª versão, lançada em 2014, que foi determinante para a meta traçada no Acordo de Paris, também conhecida como “o desafio dos 2 graus ou preferencialmente, 1,5 grau”. 

Este ano não deverá ser diferente. A 6ª publicação do IPCC foi lançada em agosto deste ano, com muitas atualizações desde o último relatório (AR5) quanto às evidências e ao conhecimento de eventos climáticos extremos impulsionados pela mudança climática. A opinião é categórica: 

“Os cientistas não têm dúvidas de que as atividades humanas aqueceram o planeta. Mudanças rápidas e generalizadas ocorreram no clima do planeta e alguns impactos estão agora se concretizando.”

Dentre os principais apontamentos do trabalho, está uma avaliação das metas do Acordo de Paris. O relatório é claro: tanto os limites de aquecimento de 1,5°C como de 2°C serão ultrapassados durante o século 21, a menos que reduzamos a zero, por volta de 2050, as emissões líquidas de CO2 e de outros de gases de efeito estufa. Isso reforça a relevância dos compromissos “Net Zero” que vêm sendo adotados por muitas organizações, principalmente no último ano, como aquelas participantes do Pacto Global das Nações Unidas, denominado Climate Ambition Accelerator” ou, no Brasil, “Ambição Net Zero.


É momento de consolidar metas de Paris, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos voltam para o jogo

O Acordo de Paris foi firmado em 2015, mas o momento de consolidar as decisões é agora. Isso porque ele funciona em ciclos de 5 anos e em 2020, 5 anos após a sua decisão, seria o marco inicial para que os países entregassem planos sólidos de como atingir aquilo que se propuseram a fazer em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Uma vez que a COP não ocorreu em 2020, tais planos estão sendo enviados neste encontro.

Dentre as principais negociações esperadas no encontro, estão:

1. Consolidar o Manual do Acordo de Paris e deslanchar os mecanismos de mercado

Conhecido como “The Paris Rulebook”, o documento vem sendo desenvolvido desde 2016 para estabelecer regras claras sobre o funcionamento do Acordo, bem como implementar seus artigos, dentre eles aqueles que tratam de mecanismos de financiamento e mercado. A finalização deste documento é essencial para destravar ações em prol a mitigação e adaptação climática.

Especificamente quanto à continuação de um mercado global de carbono, assim como foi feito em Kyoto, espera-se ter avanços significativos na implantação do Artigo 6 do acordo. Muitos países, dentre eles o Brasil, já se posicionaram a favor deste mecanismo, que poderá fortalecer um mercado já aquecido de redução de emissões.

2. Firmar compromissos coerentes e com linhas do tempo compatíveis

Para atingir uma emissão líquida zero até 2050 e conter o aumento da temperatura média do planeta em até 1,5°C, será necessário alinhar as ações – ou seja – garantir que os planos traçados são capazes de atingir esse objetivo, no período necessário.

Neste tema, discussões recorrentes e que geralmente causam atrasos nas definições são aquelas que tratam da responsabilização das nações no que tange às emissões. 

Recentemente, o Carbon Brief publicou uma análise acerca da distribuição das emissões históricas entre países. Os resultados podem ser conferidos de forma bem didática no vídeo disponibilizado por eles:

Os números mostram constatações importantes, tais como o posicionamento dos Estados Unidos e China como nações com emissões históricas mais relevantes – o que torna muito coerente (e necessária) a decisão norte-americana de retornar ao Acordo, um mês após a posse do atual presidente Joe Binden. O compromisso do país foi publicamente reforçado na ocasião do “Summit on Climate” organizado em abril deste ano.

Outro aspecto que merece atenção na análise do Carbon Brief é o fato de, pela primeira vez, terem sido consideradas as emissões decorrentes de uso do solo e florestas, o que alterou significativamente o top 10 dos mais emissores, colocando o Brasil em 4° lugar.

Informações como essas são subsídio para que os países apresentem metas alinhadas à sua contribuição no cenário como um todo.

3. Mobilizar o financiamento climático

O financiamento climático é um ponto fundamental do Acordo de Paris, principalmente para alavancar ações de adaptação e mitigação, bem como de proteção de comunidades vulneráveis e habitats naturais – ou seja, questões que precisam ser tratadas de forma conjunta. Dentre as discussões de Paris, foi estabelecido o compromisso de levantar pelo menos 100 bilhões de dólares em 2020, meta que não foi atingida em tempo, em parte pelo impacto da pandemia Covid-19. 

Um relatório independente publicado em dezembro de 2020 mostrou que o avanço dos fundos anuais para a crise climática desde 2013 atingiu uma quantia próxima de 80 bilhões em 2019. Para os autores, atingir e escalar anualmente a meta dos 100 bilhões, é mandatório para conter a crise climática. O desafio, repetem, é fazer isso em conjunto com a recuperação econômica pós-Covid-19. No entanto, são objetivos que podem e devem convergir – aliar a recuperação econômica com uma economia global e resiliente de baixo carbono.


E como está o Brasil neste cenário?

Na Cúpula de Líderes sobre o Clima promovida por Biden em abril deste ano, o Brasil reforçou a sua proposta original: diminuir 37% das suas emissões até 2025 e 43% até 2030, além de reduzir em 10 anos o compromisso com a neutralização das emissões líquidas em carbono – agora até 2050. Segundo o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa – SEEG, as emissões brasileiras ainda se concentram principalmente nos setores de mudança do uso da terra e agropecuária, conforme figura.

Gráfico, Gráfico de barras

Descrição gerada automaticamente

Fonte: SEEG, 2020. Emissões totais do Brasil (1990-2019), distribuídas por setor.

Tais temas são sensíveis, em um período no qual registramos o segundo pior ano de desmatamento na série histórica da Amazônia dos últimos 10 anos, fato que tem ocasionado desconforto diplomático. Segundo recomendações da Coalização Brasil Clima Florestas e Agricultura

“Para inverter esse jogo, porém, o Brasil precisa repensar sua atual gestão de uso da terra, consolidando-se como liderança internacional de uma nova economia florestal e inspirando-se em seu longo histórico de contribuições para a conservação do meio ambiente”. 

Isso também se traduz em uma agenda climática forte e objetiva, pautada em metas ambiciosas e planejadas. Considerando o perfil de emissões do país, é notória a relevância das chamadas soluções baseadas na natureza para tal, em especial ações para conter o desmatamento na Amazonia e para recuperar áreas agrícolas degradadas.

A Radicle aposta em tais soluções, que consistem no coração do Programa Fazendas Vivas, a principal atuação da empresa no Brasil.

As expectativas são altas e a esperança é de que a urgência climática seja devidamente tratada nesta COP. Afinal, como disse Barak Obama: “Nós somos a primeira geração a sentir os efeitos das mudanças climáticas e a última geração que pode fazer algo a respeito”. É tempo de agir.

Texto escrito por Elisa Guida, Especialista em mercados de carbono na Radicle Brazil

As compensações de carbono podem parecer complicadas. Existem muitas oportunidades de negócios quando se trata de compensações, e são mais simples do que você pode imaginar. Felizmente, a equipe de especialistas da Radicle tem um amplo conhecimento sobre como funcionam as compensações de carbono, como produzí-las e como usá-las para cumprir suas metas de redução de emissões. Mas o que exatamente são compensações de carbono?

A maneira mais simples de explicar uma compensação de carbono é um sistema de contabilidade que pode equilibrar as escalas de poluição. Uma compensação representa a redução, remoção ou prevenção voluntária das emissões de gases de efeito estufa (GEE), medidas em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), que podem compensar as emissões feitas em outro lugar. Ao cortar as emissões além do necessário, as compensações desempenham um papel importante no cumprimento das metas de redução de emissões de GEE, o que é incrível.

Qualquer empresa, governo ou indivíduo pode se envolver com a compensação de carbono, pagando para compensar suas emissões de GEE ou gerando compensações.

Existem dois tipos diferentes de compensação: cumprimento e voluntária. As compensações de cumprimento podem ser usadas quando um sistema federal de redução de emissões de GEE está em vigor, desta forma as atividades do projeto são incluídas nos protocolos aprovados pelo governo. As compensações voluntárias devem ser usadas por indivíduos, grupos e organizações por motivos voluntários. Pense assim: se você, uma única pessoa, voasse em um avião e quisesse compensar essas emissões de GEE, você poderia comprar compensações de forma voluntária, mas se sua empresa está em um setor com requisitos regulatórios para reduzir as emissões de carbono, você pode usar as compensações de cumprimento para atender às reduções exigidas pelo governo para as suas emissões de GEE.

Então, como as compensações são geradas? Uma ampla variedade de atividades e projetos evitam, removem ou reduzem as emissões de GEE que criam compensações. Eles podem assumir a forma de soluções baseadas na natureza, como plantar árvores em terras anteriormente florestadas (reflorestamento) ou reduzir as emissões, evitando o desmatamento e a degradação florestal. Elas podem ser melhorias de otimização energética para o seu negócio, em projetos de edifícios com eficiência energética ou no uso de fogões super eficientes, usando combustíveis alternativos para alimentar os veículos da sua empresa. Essas atividades e projetos também podem incluir o uso de técnicas de agricultura regenerativa, reduzindo as emissões de metano usando opções de hardware limpas e inovadoras, recuperação ou incineração de hidrofluorcarbonos (HFCs), redução das emissões de aterros por meio da coleta de combustão e gás de aterro, e geração de eletricidade usando recursos renováveis.

Depois que uma compensação é gerada, ela recebe um número de série exclusivo. As empresas podem trabalhar com organizações como a Radicle para comprar créditos que atendam às suas necessidades. Depois que um crédito é comprado, ele é permanentemente retirado ou transferido para garantir que não haja dupla contagem e que um crédito só possa ser usado uma vez.

Agora que você sabe um pouco mais sobre compensações, certamente está se perguntando: “onde posso comprá-los ou vendê-los”? Temos ótimas notícias – as compensações são vendidas tanto por intermediários quanto por desenvolvedores de projetos – como a Radicle! Oferecemos opções de transações personalizadas, percepções sob medida e acesso escalável a mercados de carbono opacos e ilíquidos. Encontramos as oportunidades mais adequadas para o seu negócio, incluindo a execução de transações de carbono. Também oferecemos suporte a soluções de ponta a ponta para o ciclo de vida de seus créditos de carbono – do desenvolvimento e criação à aquisição e aposentadoria.

“Você precisa se perguntar sobre quais emissões você pode influenciar por si mesmo e quais projetos de redução de emissões que você vai fazer estão sob seu controle ou dentro de sua organização. Desta forma, as compensações podem ser usadas para cumprir o restante de sua meta de redução de emissões ou para se proteger contra emissões futuras de carbono e exposições de preços.”, disse Chelsea Bryant, Diretora-Gerente de Mercados Globais e Estratégia da Radicle durante nosso webinar 101 sobre Compensações de Carbono.

Se você quiser saber mais sobre como se envolver nos mercados de cumprimento ou de compensação voluntária de carbono, nossa equipe de especialistas está pronta para te atender!

A aceleração em que vivemos não tem precedentes na história da humanidade. A era digital pegou o início desse processo na virada do século e pisou fundo, provando de vez que o tempo é relativo.

São mudanças tão rápidas e interconectadas que criam a sensação de impermanência, com uma quantidade de dados a serem processados muito maior do que nossa capacidade. Considerando que a consultoria é a arte de se mapear e processar informação, sua adaptação a essa nova realidade não é uma escolha.

Mas o desafio não é só esse, há um senso de urgência para essa adaptação. Se estamos levando a sério o que diz a ciência climática, temos duas ou três décadas para transformar a economia circular e regenerativa em regra, algo que demoraria um século no ritmo que estamos. Portanto, soluções exponenciais serão fundamentais daqui para a frente.

A boa notícia é que temos décadas de conhecimento para enfrentarmos os desafios que esta transição impõe. Não é necessário investir bilhões na mudança do homem para Marte. O investimento necessário é dar escala às energias renováveis, à eficiência energética, à agropecuária regenerativa e à valoração das florestas nativas.

Falta, portanto, o fator exponencial nesta equação, ou faltava! Após 9 anos atuando como uma consultoria de contabilidade ambiental, implementando a mensuração e valoração de estoques e fluxos destes ativos, a Pangea passa agora a surfar uma nova onda como Radicle Brazil.

Ao integrar o Grupo Radicle, a Pangea possibilitará a fusão do conhecimento específico sobre as soluções que o país necessita com a tecnologia e capacidade de investimento necessárias para dar escala a elas. A Radicle Brasil terá como foco manter a precisão e agregar velocidade, de forma a nos adaptar aos tempos e contribuir de fato na construção do futuro que queremos.

Esta é a visão que nos guia, sua implementação passa agora por se utilizar do potencial do mercado global de carbono para, finalmente, transformar os ativos ambientais em financeiros, com o objetivo de trazer o melhor dos dois mundos aos nossos parceiros. O equilíbrio é possível e a exponencialidade também, nós seremos a prova disso.

Roberto Strumpf

Hoje temos um novo nome, mas a nossa história tem como base empresas que existem há mais de uma década com o propósito de causar impacto positivo no planeta. Trabalhamos muito para consolidar a nossa presença global e acumular expertise (e especialistas), e agora estamos prontos para atuarmos unidos e nos representarmos sob o nome Radicle.

Radicle, ou radícula em português, é o primeiro estágio de crescimento da semente que, em seguida, se transforma na primeira raiz. Em seu livro “O Poder do Movimento nas Plantas”, Charles Darwin descreve a radícula como sendo o cérebro da planta, que recebe estímulos sobre sua condição e ambiente e molda seus movimentos. Esse conceito também é verdadeiro para nós na Radicle. Trabalhamos para impulsionar a eficiência dos nossos clientes, fazendo com que reduzam suas emissões e se tornem mais prósperos no futuro, mostrando que eficiência não vem às custas do meio ambiente. 

Sabemos há algum tempo que lucrar às custas do planeta não é sustentável e está mais claro, a cada dia, que isso também é desnecessário. Equilibrar o foco entre o resultado final e o meio ambiente não só é possível, mas crucial. 

As empresas que acompanham a mudança do mundo estão descobrindo como a eficiência baseada no respeito ao meio ambiente pode ser ótima para os negócios, entendendo como podem alcançar mais com menos. Esta abordagem de companhias financeiramente sustentáveis costumava ser vista como radical, mas é muito real e a nossa orientação faz com que esse caminho seja muito mais fácil de ser percorrido.

Ao nos tornarmos globais, estruturamos uma rede que conecta conhecimento, habilidades e tecnologia e oferece apoio aos nossos clientes ao redor do mundo. Essa também é uma oportunidade para que empresas brasileiras que trabalhem conosco tenham maior possibilidade de um crescimento sustentável mundial.

Radicle significa crescimento, e Radicle é a esperança em meio ao pessimismo que pode sobrecarregar o meio ambiente. Sabemos que podemos proteger o nosso futuro juntos. Estamos aqui para ajudá-lo a navegar neste ambiente de negócios em constante mutação e traçar o caminho em direção ao equilíbrio das necessidades do planeta e das pessoas que dependem dele. O equilíbrio é possível e estamos animados para te provar isso.

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Na Radicle, ajudamos empresas a navegarem pelos mercados de emissões para lucrarem enquanto protegem o planeta. Até o momento, criamos mais de cinco milhões de créditos de carbono para compensar emissões em mercados regulados e a nossa equipe já realizou mais de US$ 300 milhões em transações de commodities ambientais no mundo todo.  

Apesar desses números impressionarem e abrirem caminho para o impacto positivo que esperamos alcançar, vamos começar falando sobre o básico, como, por exemplo, o que são as commodities ambientais e como funcionam os mercados de emissões.

Os tipos básicos de commodity ambiental são: créditos de carbono, combustíveis renováveis e eletricidade renovável.

As empresas ganham créditos de carbono reduzindo a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) que elas geram ou armazenando-os antes que entrem na atmosfera. Cada crédito de carbono representa uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) e esse conceito também se estende ao metano. O metano possui cerca de 30 vezes o potencial de aquecimento global (GWP) do CO2, fazendo com que as reduções em suas emissões sejam ainda mais cruciais à nossa causa. 

Combustíveis e eletricidade renováveis são tipos diferentes de créditos, pautados por regras específicas das jurisdições de onde são criados e vendidos. Esses créditos podem ser baseados na tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) ou em unidades de produção, como  Megawatt-hora (MWh) de energia renovável.  

Os registros de commodities ambientais certificam e rastreiam os créditos, além de regularem o modo como eles são gerados. Nesse sentido, são bem semelhantes aos títulos e ações da bolsa – alguns são como investimentos em blue chips (rendimento certo) e outros podem ser praticamente inúteis.  A Radicle gera commodities ambientais da mais alta qualidade, porque utilizamos a nossa própria plataforma para mensurar, qualificar e agregar os GEEs. Portanto, quando se trata de comprar ou vender créditos nos mercados de emissões, os nossos clientes certamente irão lucrar.

Quando falamos em mercados de emissões, estes podem ser divididos em duas categorias abrangentes:  regulados e voluntários. Os mercados regulados são para empresas que precisam cumprir com metas estabelecidas pelo governo, caso contrário ficam sujeitas a penalidades financeiras; já os mercados voluntários são para aqueles que optam por reduzir as emissões ou se comprometem a adotar soluções mais “verdes” por conta própria. Geralmente, o fazem para cumprir com seus próprios compromissos ambientais ou para aumentar a receita. 

Sabemos que tudo isso pode parecer muito complicado. “O diabo mora nos detalhes”, diz Chelsea Bryant, Diretora Geral para Mercados Globais e Estratégia da Radicle, parafraseando um provérbio alemão. “É indispensável que você faça a sua lição de casa para otimizar o valor – geração de receita ou economias de custo – da participação no mercado.” E na Radicle, nós fizemos a nossa lição de casa. Estamos ansiosos para ajudar as organizações que tenham diversos níveis de conhecimento a navegarem pelas complexidades das commodities ambientais e dos mercados de emissões, facilitando um engajamento mais amplo nessas áreas.

Na Radicle, estabelecemos parcerias com os nossos clientes para mensurar o seu impacto ambiental e identificar novas fontes de valor.  Na última década e com diferentes nomes, nossa equipe foi chamada por agências governamentais, regulatórias e ambientais, assim como por empresas privadas,  para dar consultoria e ajudar a implementar soluções de impacto positivo para o planeta. 

Trabalhamos no protocolo de pneumáticos da província de Alberta, no Canadá, para garantir que os requisitos do Departamento para Mudanças Climáticas de Alberta fossem cumpridos. Desenvolvemos uma estrutura de compensação direta de carbono para a Bayer e contribuímos, de forma relevante, com as operações da Shell de captura e armazenamento de carbono, num sistema conhecido como Quest. 

A nossa equipe é formada por especialistas mundiais em mercados ambientais, na mensuração dos gases de efeito estufa (GEE), em soluções climáticas naturais e nas avaliações do ciclo de vida. “Não somos um time de consultores convencionais”, disse Shahira Esmail, Diretora para Consultoria Global da Radicle, “nós usamos o nosso pensamento curioso e criativo para abordar e resolver problemas de todos os tamanhos e níveis de complexidade, frequentemente extraindo um valor que anteriormente passou despercebido”.

Atuamos como uma plataforma única que oferece tudo que está relacionado à sustentabilidade. Para nós, é importante agir e não apenas falar – e isso também deveria ser importante para você. Temos as nossas próprias metas ambientais, sociais e de governança (ESG) e atraímos uma equipe de pessoas que vive de forma ecologicamente consciente dentro e fora do trabalho. Por isso, nos damos ao luxo de extrair soluções de uma grande fonte de conhecimento, o que nos permite estar atualizados com as novidades de ESG e tendências, e acompanhar os dados assim que surgem. 

Portanto, qualquer que seja o seu problema ou oportunidade de sustentabilidade, nós temos a resposta mais adequada à sua organização (ou a energia e expertise para chegarmos nela). 

Nós trabalhamos bem como equipe e também com equipes. Juntamente com os nossos clientes, parceiros da indústria e outras partes interessadas, criamos soluções sob medida para que atinjam resultados mensuráveis. Estamos animados para te mostrar o que é possível. 

Leia mais sobre a nossa nova marca.

Na Radicle, a nossa principal atividade é transformar as realidades das empresas com as quais trabalhamos, levando soluções concretas de cuidados com o meio ambiente. Uma parte inicial do nosso processo ágil e robusto envolve a identificação do impacto de carbono da empresa. Para isso, mergulhamos profundamente nas operações dos nossos clientes, questionando, reiterando, calculando e documentando. 

Agora, vamos destrinchar o que é pegada de carbono. O que é medido importa e é mais importante do que nunca saber como o seu negócio impacta o meio ambiente. Aqui entra o impacto de carbono: uma fotografia dos gases de efeito estufa (GEEs) emitidos anualmente a partir das operações da companhia. Essa informação é o primeiro passo para entender a sua cadeia de suprimentos e identificar onde existe potencial para melhorias ambientais.

Mas por que isso é importante? O objetivo principal de uma pegada de carbono não se restringe a relacioná-la às metas climáticas, mas também a utilizá-la como um guia para uma estratégia de sustentabilidade que lhe permita traçar um plano de ação para lidar com as vulnerabilidades. 

Veja o que diz Rori Cowan, a nossa Diretora para Desenvolvimento de Negócios para os Estados Unidos, que é uma grande defensora da pegada de carbono: “seja porque a sua empresa quer estar à frente das regulamentações ou simplesmente porque entende como pode fazer melhor, os dados adquiridos com esse exercício têm imenso valor, e não é possível alcançar esse valor até que se conheça qual é o seu impacto de carbono. Esse valor pode se materializar em diversas formas, como entender melhor a sua vantagem competitiva ou, em alguns casos, ser capaz de gerar compensações de carbono”. 

Quer ser aquela empresa que ninguém segura ou, como dizemos na Radicle, uma companhia “antifrágil”? O impacto de carbono tornou-se não apenas algo positivo de se ter, mas uma forma essencial de acessar fontes de financiamento.  

Sabemos que a identificação das vulnerabilidades da empresa pode ser algo assustador. Ainda assim, garantimos que um impacto de carbono bem pesquisado e um plano de ação estruturado serão muito relevantes para a prosperidade do seu negócio. Por exemplo, já vimos o impacto do carbono se transformar em valor financeiro traduzido em oportunidades de créditos de carbono. Veja o caso da província de Alberta, no Canadá, onde alguns produtores de petróleo e gás conseguiram fazer essa monetização com eficiência por meio da redução da sua pegada de carbono. Eles agora podem ganhar créditos de carbono trocando seus equipamentos pneumáticos de alta liberação de metano para reduzir a quantidade desse gás de efeito estufa que é liberado pelas suas operações!   

Na Radicle, gostamos de encontrar um diamante bruto em sustentabilidade. Como? Sejamos sinceros: definir a pegada de carbono de uma empresa é apenas metade da batalha. A outra está em envolver a sua mente em algo que você nunca fez antes. É assim que você se sente após o primeiro ano da implementação da estratégia de sustentabilidade. Depois, quanto mais fizer, mais fácil fica. Assim como acontece com qualquer coisa nova que fazemos.  

Está pronto para usar o impacto de carbono para lançar a sua iniciativa de sustentabilidade? Estamos te aguardando com a nossa abordagem focada e os melhores especialistas em impacto, mensuração e gestão de carbono. Vamos transformar a sua sustentabilidade numa história divertida para contar. 

Ajudamos empresas a promoverem soluções de impacto positivo para o planeta. Desenvolvemos uma das primeiras plataformas de software do mundo para medir, qualificar e agregar emissões de gáses de efeito estufa. Nossa equipe consultou mundialmente nossos clientes e parceiros do setor sobre a monetização dos seus esforços ambientais, sociais e de governança (ESG). Ao mesmo tempo que nos orgulhamos de tudo o que já realizamos, estamos muito focados no futuro e em novas maneiras de alcançar nossos objetivos. A nossa inspiração mais recente é a Economia Circular. 

Os especialistas membros da equipe de Comunicação de Sustentabilidade da Radicle possuem uma certificação especial em Economia Circular (Design for Sustainability) pela universidade Technische Universiteit Delft na Holanda. Nos reunimos com os membros da Unidade de Comunicação de Sustentabilidade da Radicle – Claudia Aguirre, Diretora de Estratégia, e Jennifer Dooley, Estrategista Sênior, para entender o que é a Economia Circular. 

P. O que é a Economia Circular?

“Eu fiquei sabendo sobre Economia Circular quando fiz meu treinamento na Fundação Ellen MacArthur, no Reino Unido. Eles explicam que a Economia Circular é diferente do modelo industrial extrativista do tipo “pegue-produza-descarte”, porque, ao invés disso, elimina os resíduos do sistema, gerando capital econômico, natural e social. Basicamente, a Economia Circular dissocia a atividade econômica de consumo dos recursos finitos”, explica Claudia. 

Jennifer acrescenta: “Parece complicado, mas a Economia Circular baseia-se realmente em três princípios simples: eliminação de resíduos e poluição, manutenção de produtos e materiais em uso, e a regeneração dos sistemas naturais”. 

P. Vocês podem nos contar um pouco mais sobre o primeiro princípio – eliminando resíduos e poluição?

“O primeiro princípio – eliminar resíduos e poluição – pede que as empresas repensem e questionem a cadeia de suprimentos para evitar resíduos e poluição. Se isso é realizado no início do desenvolvimento do produto, temos o melhor cenário”, diz Claudia. Ela segue dizendo que “muito dos resíduos que liberam gases de efeito estufa no meio ambiente vêm de resíduos estruturais, poluindo o ar, a terra e a água”.

“Veja o exemplo da Tru Earth, fabricante de detergente para máquinas de lavar, que atualmente participa do nosso programa de certificação Climate Smart Certification”, descreve Jennifer. “A Tru Earth eliminou totalmente os resíduos do processo de lavagem de roupas. Eles usam um detergente em tiras que gera zero resíduos e vem em uma embalagem de papelão compostável. Cada tira do produto de lavagem se dissolve completamente ao entrar em contato com a água. Os ingredientes são hipoalergênicos e ecologicamente corretos!”   

P. E o segundo princípio? O que significa manter produtos e materiais em uso?

“O segundo princípio tem tudo a ver com reimaginar uma economia que não use intensamente os recursos finitos, mas, ao invés disso, reutilize, refabrique ou recicle”, diz Jennifer.

Claudia acrescenta: “O objetivo final é usar produtos, componentes e produtos biológicos para impactar, de forma positiva, a economia e o meio ambiente. Veja o caso da empresa de sabonetes e sabão Rocky Mountain Soap. Seus sabonetes líquidos, condicionadores e shampoos são vendidos em embalagens de refil de 1 litro; os clientes devolvem as embalagens na loja, que as envia de volta à fábrica onde são higienizadas e, em seguida, reutilizadas! E essa não é a sua única inovação: o último lançamento de produto de beleza deles é uma linha de batons coloridos, vendidos em embalagens biodegradáveis.

P. Explique para nós esse último princípio – regenerando os sistemas naturais. Como uma empresa consegue fazer isso?

“Pense assim: será que nós, como empresa, podemos não apenas proteger, mas também melhorar o meio ambiente? E se pudéssemos não apenas preservar os recursos renováveis, mas também devolver os recursos para o solo para ajudar na regeneração?”, indaga Jennifer.

Claudia acrescenta: “Pegue o exemplo do plantio de conservação. Os serviços de agricultura da Radicle recompensam o produtor rural que utiliza plantio direto para reter o dióxido de carbono no solo, ajudando a mitigar o impacto da agricultura sobre a mudança climática”.

P. Como posso saber mais?

 “Na Radicle, estamos empenhados em ajudar a sua organização a contar a sua história de circularidade para o mundo. Entre em contato conosco e a nossa equipe de Comunicação de Sustentabilidade traçará seus planos de integração da Economia Circular e as suas estratégias de mudança social!”.

ENTRE EM CONTATO CONOSCO.

Depois de dois anos com chuvas abaixo da média histórica, este verão está terminando com um índice pluviométrico bastante razoável o que, aliado a uma redução do volume retirado, contribuiu para o aumento significativo do volume armazenado do Sistema Cantareira. Se neste mesmo dia 08 de março de 2015 tínhamos 120 milhões de m³ acumulados no Sistema, hoje temos 577 milhões.

A melhora foi suficiente para o Governador Geraldo Alckmin dizer que temos água para cinco anos de seca! Exagero? Com certeza, pois analisando o histórico do Sistema, pode-se verificar que em março de 2013 o nível acumulado (57%) era o dobro do que em março de 2016 (29%).

A comparação com 2014 e 2015 traz alívio para a população abastecida pelo Sistema, mas se o olhar for mais abrangente (como deve ser o do poder publico e do planejador), a cautela e inteligência no planejamento devem preponderar.

O Sistema Cantareira apresenta, hoje, uma condição ambiental pouco confortável. De acordo com estudo recente da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira estão sem cobertura vegetal. Sem essa mata ciliar é impossível proteger os rios. A degradação é histórica e sua recuperação é responsabilidade de todos!

O governo do estado tem concentrado seus esforços (investimentos) na transposição de rios, implantação de um novo Sistema (São Lourenço), ou seja, na infraestrutura cinza que é fundamental, mas não a única forma de garantir o abastecimento hídrico no futuro. Investir na proteção dos mananciais que “produzem” a água é essencial para que as nascentes e rios não sequem durante os inevitáveis períodos de estiagem (como o que passamos entre 2013 e 2015 e iremos passar no futuro).

As florestas nas margens dos rios atuam como os cílios, protegendo os cursos de água e garantindo o abastecimento constante dos lençóis freáticos. Essa á a chamada Infraestrutura Verde, ou Infraestrutura Natural – o investimento em ecossistemas naturais saudáveis complementa os sistemas de abastecimento hídrico, garantindo a provisão de serviços essenciais, como a regulação do fluxo hídrico, controle de enchentes além da purificação da água.

Pensando nisso, a Iniciativa Verde, OSCIP parceira da Pangea Capital, já plantou 75 hectares de floresta no Sistema Cantareira, sendo que 50 com o financiamento do BNDES e os outros com o financiamento de empresas privadas. Um ótimo exemplo disso é a Leroy Merlin, que já plantou mais de 100 mil árvores com a Iniciativa Verde, sendo que 21 mil no Sistema Cantareira em função da compensação das emissões de gases de efeito estufa decorrentes de três lojas inauguradas na grande São Paulo em 2015.

Trabalhos como este representam parte essencial do caminho para a construção de uma cidade mais resiliente e saudável, especialmente em um cenário de mudanças climáticas que tornarão as secas cada vez mais comuns.

Por meio de análise de risco, estratégia de redução no uso e adaptação ao cenário de escassez, a Pangea Capital auxilia empresas e municípios a elaborar um plano de ação visando à redução de riscos e a adaptação a um novo cenário de escassez (para mais informações leia no blog passado: “Águas de Março: uma promessa de vida?”).

Texto escrito por Lucas Pereira, diretor-técnico da Iniciativa Verde.